Por que a Suíça deve ser sua primeira viagem europeia
O argumento para começar pela Suíça
Existe um conselho de viagem comum que circula por aí que vai mais ou menos assim: não vá para a Suíça primeiro. Guarde para mais tarde, dizem. Comece por algum lugar mais barato, mais fácil de navegar, algum lugar onde você não vai sentir que está sangrando dinheiro a cada momento.
Discordo completamente desse conselho.
A Suíça não é apenas uma ótima primeira viagem europeia — pode ser a melhor primeira viagem europeia. E depois de passar um tempo considerável lá e assistir todos os tipos de viajantes experimentando-a pela primeira vez, cheguei a acreditar nisso com bastante firmeza.
Veja por quê.
É quase impossível se perder
Um dos maiores medos dos viajantes europeus de primeira viagem é se perder. Não apenas fisicamente perdidos, mas perdidos em sistemas — os trens, os ônibus, as expectativas culturais, as regras não escritas. A Suíça desmancha quase todos esses medos antes que possam se enraizar.
A rede de transporte público suíço é a melhor do mundo. Isso não é hipérbole — é uma visão comumente mantida entre escritores de viagem, entusiastas de ferrovias e pessoas que passaram tempo tentando ir do ponto A ao ponto B pela Europa. Os trens chegam no horário. Os ônibus se conectam aos trens. Os barcos se conectam aos ônibus. Cada horário em cada estação mostra exatamente o que está chegando e quando. O app funciona. A sinalização é clara.
Mais importante para os iniciantes: o Swiss Travel Pass permite que você embarque em quase qualquer coisa — trens, bondes, ônibus, barcos de lago, ferrovias de montanha — sem comprar passagens individuais. Você apenas mostra seu passe e vai. Para alguém que nunca viajou pela Europa antes, isso é transformador. Você não precisa descobrir onde comprar uma passagem ou que tipo de passagem você precisa. Você apenas viaja.
A melhor época para visitar depende um pouco do que você quer ver, mas honestamente, a Suíça funciona em qualquer estação. O verão é dourado, o inverno é mágico, e a primavera e o outono atingem um ponto ideal de menos multidões e preços mais baixos.
Quase todo mundo fala inglês
A Suíça tem quatro idiomas oficiais — alemão, francês, italiano e romanche — o que soa intimidador até você perceber que virtualmente todos que trabalham em turismo, hotelaria, transporte ou varejo falam inglês excelente. Nas principais cidades e áreas turísticas, você pode passar dias inteiros sem precisar de mais do que inglês. Até em aldeias menores, você geralmente encontrará inglês suficiente para se virar.
Isso é enormemente tranquilizador para uma primeira viagem europeia. Você não vai estar apontando para cardápios e esperando pelo melhor. Você não vai se sentir constrangido lutando para comprar passagens de trem. Você pode pedir ajuda e realmente entender a ajuda que recebe.
Dito isso, aprender algumas palavras do idioma local — “Danke” em áreas de língua alemã, “Merci” nas de língua francesa — vai longe. Os suíços genuinamente apreciam o esforço, mesmo que imediatamente voltem ao inglês.
É segura, limpa e notavelmente bem organizada
A Suíça consistentemente ocupa um lugar entre os países mais seguros do mundo. Crimes menores existem, como em todo lugar, mas são genuinamente incomuns. Caminhar por Zurique à meia-noite se sente confortável. Deixar sua mochila numa mesa de restaurante enquanto vai ao banheiro não parece uma aposta. As cidades são limpas, as ruas são iluminadas e há uma atmosfera geral de ordem cívica que pode parecer quase surreal se você vier de algum lugar mais caótico.
Para um viajante de primeira viagem que pode estar nervoso com todas as coisas que poderiam dar errado, isso importa enormemente. A Suíça permite que você relaxe na experiência de viajar sem gastar metade de sua energia mental em vigilância.
A paisagem natural é genuinamente de tirar o fôlego
Todo viajante europeu de primeira viagem tem um momento — o momento em que algo que você viu em fotos ou filmes aparece na sua frente na vida real e seu cérebro não consegue processar que é real. Na Suíça, esses momentos acontecem constantemente.
Ficar na plataforma no Jungfraujoch e olhar para o Glaciar Aletsch. Virar uma esquina no caminho para Lauterbrunnen e de repente ver cachoeiras de 300 metros caindo de penhascos em ambos os lados do vale. Pegar o trem ao longo do Lago de Genebra ao pôr do sol quando a água fica rosa e os Alpes do lado francês brilham laranja.
Essas não são experiências que você tem que se esforçar para encontrar. Elas acontecem pelas janelas dos trens. Elas acontecem ao sair do hotel. A Suíça é incansável, às vezes quase opressivamente bonita, e para um visitante de primeira viagem, essa beleza faz cada único dia parecer extraordinário.
Você pode ver várias “Suíças” em uma viagem
A Suíça é minúscula — você pode dirigir de uma ponta à outra em cerca de três horas e meia. Mas dentro desse pequeno espaço, há paisagens, culturas e atmosferas radicalmente diferentes.
O norte de língua alemã é eficiente e ordenado. O oeste de língua francesa (La Romandie) é mais relaxado, mais mediterrâneo em seu ritmo e prazeres. O sul de língua italiana (Ticino) parece um país completamente diferente — palmeiras, praças, espresso e igrejas barrocas. As montanhas cortam por tudo isso, criando vales tão isolados que desenvolveram seus próprios dialetos e tradições.
Um roteiro de uma semana pode razoavelmente cobrir Zurique, Lucerna, o Oberland Bernês e Genebra ou Lausanne. Isso é a Suíça alemã, alpina e francesa — três personalidades distintas em sete dias.
A infraestrutura turística é de classe mundial
A Suíça é um destino turístico desde a era vitoriana, quando a aristocracia britânica descobriu os Alpes e decidiu que eram espetaculares. Mais de um século de acolhimento de visitantes produziu uma infraestrutura extraordinária. Os hotéis de econômico a luxo são confiavelmente limpos e bem gerenciados. Os restaurantes acomodam todas as dietas e restrições alimentares. Os operadores de atividades — as empresas de parapente, os operadores de passeios de barco, as companhias de ferrovia de montanha — são profissionais, conscientes da segurança e claros em sua comunicação.
Se algo der errado — um trem perdido, uma atração fechada, uma caminhada arruinada pela chuva — há sempre alguém que pode ajudar e uma opção alternativa clara. A Suíça não te deixa na mão.
Começando: as partes práticas
Para os visitantes de primeira viagem, algumas coisas valem saber de antemão.
A moeda são os Francos Suíços (CHF), não euros. Os cartões são aceitos em quase todo lugar, mas vale ter algum dinheiro em espécie para compras menores, mercados e estações de teleférico em aldeias de montanha.
O Swiss Travel Pass quase certamente vale a pena comprar se você está planejando mais de alguns dias de viagem. Ele cobre não apenas trens, mas bondes, ônibus, a maioria dos barcos de lago e dá entrada gratuita ou com desconto em muitos museus. Você pode reservá-lo antes de sair de casa.
Reserve seu Swiss Travel Pass aqui e ative-o no primeiro dia de viagem.
Em termos de orçamento, sim — a Suíça é cara. Um jantar sentado custa mais do que na maioria dos países europeus. Mas há formas de gerenciar os custos: almoços no supermercado (Migros e Coop são excelentes), cozinhar se você tiver acesso à cozinha do albergue e atividades gratuitas como caminhadas que por acaso são espetaculares. Leia mais em nosso guia de viagem com orçamento.
Roteiro de amostra para a primeira viagem
Aqui está uma estrutura inicial para uma primeira visita de sete dias.
Dias 1-2: Zurique. Chegue, recupere-se do jet lag, explore o centro histórico, o lago e os excelentes museus. O Kunsthaus é de classe mundial e a orla do lago de Zurique é um dos mais agradáveis das cidades europeias.
Dias 3-4: Lucerna. A uma hora de Zurique de trem. A coberta Ponte da Capela de madeira, o Monumento do Leão e o entorno de lago e montanhas tornam Lucerna a cidade mais fotogênica da Suíça. Faça uma excursão de um dia ao Monte Pilatus ou Rigi enquanto você está aqui.
Faça o Golden Roundtrip até o Monte Pilatus de Lucerna — é uma das excursões suíças icônicas, combinando barco, ferrovia de cremalheira e teleférico.
Dias 5-6: Interlaken e o Oberland Bernês. A duas horas de Lucerna. Instale-se em Interlaken e faça excursões de um dia para Lauterbrunnen, Grindelwald e — se o tempo estiver claro — Jungfraujoch. Esses dois dias terão algumas das paisagens mais dramáticas que você já viu.
Reserve sua excursão ao Jungfraujoch de Interlaken com antecedência — esgota, especialmente no verão.
Dia 7: Berna. A capital suíça é frequentemente pulada em favor de cidades mais famosas, mas é uma joia — arcadas medievais, um enorme jardim de rosas, a casa de Einstein e ursos (sim, ursos de verdade). Um dia final perfeito antes de voar para casa.
Por que não começar em algum lugar mais barato?
O contra-argumento normalmente vai: comece em algum lugar mais barato para construir sua confiança de viagem, depois venha à Suíça quando você sabe o que está fazendo.
Mas aqui está a coisa — a infraestrutura da Suíça remove a maioria das complicações que tornam a viagem de primeira viagem estressante. O sistema de transporte é à prova de erros. A barreira do idioma é mínima. A situação de segurança é excelente. A infraestrutura turística lida com suas necessidades de forma suave e profissional.
Um destino “mais barato” que requer mais navegação, mais criatividade linguística e mais conforto com a ambiguidade pode ser na verdade mais difícil para um viajante de primeira viagem, mesmo que o custo diário seja menor.
A Suíça cobra mais por dia. Mas também remove mais fricção, fornece mais paisagem espetacular por quilômetro quadrado e tende a mandar os viajantes de primeira viagem para casa absolutamente certos de que querem voltar — à Suíça e à Europa de forma mais ampla.
Isso, mais do que qualquer outra coisa, é o argumento para começar aqui. A Suíça não apenas mostra um lugar bonito. Ela mostra como a viagem pode parecer quando tudo funciona.
E essa sensação — de que as coisas podem funcionar, de que a aventura é possível, de que o mundo é tão magnífico quanto você sempre esperou que pudesse ser — é exatamente a maneira certa de começar.